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AS LÁGRIMAS (DE FELICIDADE) DO TÉCNICO DE CURAÇAO. Por Cleber Isaac Filho

Aos 78 anos, ele já tinha treinado gigantes do futebol.Já havia comandado a Holanda.Já havia dirigido a Rússia.Já havia enfrentado o Brasil em Copa do Mundo.Mas nada o preparou para aquela noite.

Atualizado em 16/06/2026 às 09:06, por Caliana Mesquita.

Aos 78 anos, ele já tinha treinado gigantes do futebol.

Já havia comandado a Holanda.

Já havia dirigido a Rússia.

Já havia enfrentado o Brasil em Copa do Mundo.

Mas nada o preparou para aquela noite.

Curaçao, uma pequena ilha caribenha de pouco mais de 150 mil habitantes, fazia sua estreia em uma Copa do Mundo.

E logo contra a Alemanha.

Ninguém acreditava.

Mas o futebol adora desafiar os roteiros.

Por alguns minutos, o placar mostrou:

Alemanha 1 x 1 Curaçao.

Não importa o que viria depois; o jogo já acabou ali para mim.

E essa imagem será eternizada : Alemanha 1 x 1 Curacao.

A torcida explodiu.

Não era um título.

Não era uma classificação.

Era apenas um gol e empate precário.

Mas para aquele povo valia como uma Copa inteira.

E então o velho treinador chorou.

Chorou antes do jogo.

Chorou durante o jogo.

Chorou como uma criança.

Talvez porque estivesse vendo uma vida inteira passar diante dos olhos.

As vitórias.

As derrotas.

Os amigos que ficaram pelo caminho.

A filha doente que quase o fez desistir da viagem.
E a certeza de que algumas emoções não podem ser compradas.

Naquele instante, seus olhos azuis tinham a mesma cor do mar de Curaçao.

Azuis como esperança.

Azuis como a infância que o futebol devolve por alguns segundos.

É por isso que o futebol continua sendo tão especial.

Não pelos contratos bilionários.

Não pelas correntes de ouro.
Não pelos patrocinadores.

Mas porque ainda consegue arrancar lágrimas verdadeiras de um homem de 78 anos.

Curaçao não vai ganhar Copa.

Talvez nem passe de fase.

Mas naquela noite conquistou algo maior:

O respeito de quem ainda acredita que futebol é emoção.

Observação: 

Ao ver aquele treinador chorando, foi impossível não lembrar do meu pai, que tem idade parecida e ainda se emociona com a vida, e da minha mãe, que segue em recuperação. Talvez por isso essa história tenha me tocado tanto.

Às vezes o futebol deixa de ser apenas um jogo e passa a falar de família, amor e esperança.

— Cleber Isaac Filho


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